03.03.2012 – Gostosuras ou Travessuras

Por Bernardo*

Neste sábado fui à Rua Javari, convidado (leia-se inspirado) pelo Gui Louback. Mais do que a insistência dele, o que me levou ao estádio do Juventus, foi seu brilho no olhar que surge ao falar desse clube.

Fui pensando em duas coisas, as que dão título ao post. Queria verificar se os grandes atrativos desse programa paulistano valiam a fama que têm.

1 – Se o Cannoli é tudo isso.

2 – Se o moleque é mesmo travesso, ou pelo menos, se o apelido ainda era apropriado após décadas de existência.

Confesso que não esperava muita coisa, mas tinha esperança de que a experiência valesse a pena por seus atrativos e não pelo fato de ser um programa recomendado da cidade.

Estou tentando ser breve no meu relato, por isso vou ocultar sensações interessantes que podem ficar para outros posts.

O que posso dizer, é que mal o juiz apitou o término do primeiro tempo, eu já estava na fila do famoso doce, bem próximo do Sr. que o serve apressadamente, para atender a demanda. Consegui registrar o momento. Tão logo terminei meu Canolli e a namorada do Gui se ofereceu para pegar mais, gostei bastante do com sabor de creme, mas resolvi experimentar também o chocolate. Eu estava havia 1 mês sem comer doce e dentre tantos que eu poderia atacar, me permiti ao prazer de degustar dois Canollis, não me arrependo e digo mais, da próxima vez como três, se criarem um sabor doce de leite.

Foi tanta gostosura que até me esqueci de falar das travessuras. Em resumo posso dizer que foi um sábado de experiências inusitadas. Eu nunca havia presenciado no estádio, um jogo com essa composição:

-4 a 0 para o time que eu estava torcendo.

– 3 expulsos do adversário.

– Eu puxar um grito da torcida.

– Conseguir ver a expressão do jogador ao sair de campo no intervalo.

– Impedir uma criança de jogar bala no técnico.

– Duas torcidas unidas para protestar contra um técnico (atual do Taubaté que era do Juventus no ano passado).

– Torcedores pousarem para eu filmar e fotografar suas reações.

    

O que posso dizer? Ir à Rua Javari acompanhar o Juventus é garantia de gostosuras e travessuras. O estádio do Juventus parece a Terra do Nunca. Mas esse assunto fica para um próximo post, se Deus quiser e o Gui deixar.

Rua Javari, 117

Juventus x Taubaté

Bernardo – criativo multiplataforma e multifuncional que se disfarça de planejador.


18.02.2012 – Sofredor

Como corinthiano, sempre achei ser um dos tipos mais sofredores da humanidade. Jogos encardidos, na qual perdíamos por 2×0 ou 3×0 e conseguíamos virar, sem necessariamente jogar um futebol bonito. Algo como a Copa de 1994, só que ainda mais feio (mesmo que de resultado).

Achava isso até o dia 18 de fevereiro de 2012, quando o Juventus jogou contra o Grêmio Osasco. (Sou corinthiano, mas torço pro Juventus… e isso é história pra outro dia). O Osasco era o terceiro da tabela, o Juventus não estava no G8 (grupo dos que vão para a próxima fase), mas havia vencido por 5×0 no último jogo em casa, embora tenha empatado depois, fora.

Estávamos desesperados. Aliás, os juventinos sempre estão: nunca somos favoritos. São décadas de rebaixamentos e não acessos às divisões dos grandes. E bote derrota nessas contas, puta merda. Por isso, todo jogo começa tenso antes mesmo do apito inicial. A gente já senta na arquibancada sofrendo. Contra o 3º colocado, então, era pouca unha pra muita roeção

Fizemos o primeiro gol, aos 11 minutos do primeiro tempo. Incrível. Mas quem sofre, sabe que não é o suficiente. Eles empataram (claro) aos 24 do 2º tempo e ficaram mais confiantes. Atacaram mais, chegaram mais vezes ao gol e, com o jogo chegando ao fim, eu só esperava pela hora em que levaria um gol. Pra mim, era inevitável. Afinal, essa é minha sina: sofrer. Eu sofro em saber que sofrerei. Não tenho saída.

Graças aos deuses travessos da Mooca, nosso Juventus tem mostrado que não é um caso perdido como eu. Faltando 9 minutos para acabar o jogo, fizemos 2×1. De todos os sábados que volto rouco da Javari, esse foi o mais intenso. Lembro que o resto do jogo assisti perto do alambrado, sem voltar à minha cadeira, ensandecido, uma catarse.

Queria dizer que voltei a acreditar de vez no futebol e que a chama daquela paixão inicial da infância voltou a arder. Seja por ser cético ou sofredor de mais, ela durou pouco tempo depois do apito final.

Para mim, foi o suficiente para não querer mais deixar a Javari.

Rua Javari, 117

Juventus x Grêmio Osasco