06.05.2012 – Quando vencer não é ganhar

Faz pouco mais de 3 anos que estamos acompanhando a trilha tortuosa da série A3 do Paulista, como também a Copa Paulista [algo como a divisão de acesso para a Série D do Brasileirão]. Por muitas vezes essa trilha tem sido penosa, morosa, sofrida. Tivemos momentos de riso e com o Riso, alguns [vários] momentos de tristeza, experiências, aprendizados. Novas amizades se concretizaram, enquanto o Moleque Travesso despertou e reaproximou velhos companheiros e conhecidos em minha vida. O belo time da Mooca mudou minha relação com o futebol, catalisando um novo amor e um novo torcedor em mim. Já foram alguns que passaram pela Javari comigo: do irmão de sangue ao irmão de bola, da 1ª mulher da vida de qualquer um à mulher do resto da vida, do brasileiro da nata à australiana do soccer, do antigo grupo de brothers para um novo grupo de brothers + respectivas. Esta é uma nova passagem, um novo significado. Um último jogo para o acesso.

A peleja se daria em Osasco, em um domingo, às 10h da manhã. Não daria para ser diferente. Horário impróprio, dia impróprio, companhia própria. Um velho amigo [o famigerado Riso] me buscou em casa, 8h, para nos direcionarmos até o Estádio Municipal Prefeito José Liberatti. Chegando lá, todas as companhias eram próprias, onde todos que já se reuniam na Rua Javari, tomaram seus ônibus e também se dirigiram ao que parecia ser um capítulo terminando.

Quanto ao jogo, pouco importa. GE Osasco 3×1 Juventus. Placar final. Nos interessava mais o empate entre Guaçuano x Marília. Primeiro de muitos, segundo de todos. Esta máxima paulistana que refere ao Moleque Travesso deve ter se propagado até o interior do Estado SP. Marília fez o que ninguém esperava: nos elevou ao próximo escalão paulista, a A2.

Dá-lhe Juventus. Dá-lhe Marília. Dá-lhe a vitória que veio da derrota.

Chorei. Emoção de invasão que invadiu o campo de tão caros corações. Não somos milhões a apoiar, mas acredito que nunca procuramos isto… Quando um se importa, então tudo importa.

Estádio Municipal Prefeito José Liberatti, Osasco

Grêmio Esportivo Osasco x Juventus


18.02.2012 – Sofredor

Como corinthiano, sempre achei ser um dos tipos mais sofredores da humanidade. Jogos encardidos, na qual perdíamos por 2×0 ou 3×0 e conseguíamos virar, sem necessariamente jogar um futebol bonito. Algo como a Copa de 1994, só que ainda mais feio (mesmo que de resultado).

Achava isso até o dia 18 de fevereiro de 2012, quando o Juventus jogou contra o Grêmio Osasco. (Sou corinthiano, mas torço pro Juventus… e isso é história pra outro dia). O Osasco era o terceiro da tabela, o Juventus não estava no G8 (grupo dos que vão para a próxima fase), mas havia vencido por 5×0 no último jogo em casa, embora tenha empatado depois, fora.

Estávamos desesperados. Aliás, os juventinos sempre estão: nunca somos favoritos. São décadas de rebaixamentos e não acessos às divisões dos grandes. E bote derrota nessas contas, puta merda. Por isso, todo jogo começa tenso antes mesmo do apito inicial. A gente já senta na arquibancada sofrendo. Contra o 3º colocado, então, era pouca unha pra muita roeção

Fizemos o primeiro gol, aos 11 minutos do primeiro tempo. Incrível. Mas quem sofre, sabe que não é o suficiente. Eles empataram (claro) aos 24 do 2º tempo e ficaram mais confiantes. Atacaram mais, chegaram mais vezes ao gol e, com o jogo chegando ao fim, eu só esperava pela hora em que levaria um gol. Pra mim, era inevitável. Afinal, essa é minha sina: sofrer. Eu sofro em saber que sofrerei. Não tenho saída.

Graças aos deuses travessos da Mooca, nosso Juventus tem mostrado que não é um caso perdido como eu. Faltando 9 minutos para acabar o jogo, fizemos 2×1. De todos os sábados que volto rouco da Javari, esse foi o mais intenso. Lembro que o resto do jogo assisti perto do alambrado, sem voltar à minha cadeira, ensandecido, uma catarse.

Queria dizer que voltei a acreditar de vez no futebol e que a chama daquela paixão inicial da infância voltou a arder. Seja por ser cético ou sofredor de mais, ela durou pouco tempo depois do apito final.

Para mim, foi o suficiente para não querer mais deixar a Javari.

Rua Javari, 117

Juventus x Grêmio Osasco